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Série: O que é SOP? {parte 2}

  • Writer: Aryane Oar, MS, RDN, CD
    Aryane Oar, MS, RDN, CD
  • Jul 31, 2020
  • 4 min read


SOP e transtornos alimentares ... alguma associação?

Observe que esta é a parte 2 da série O que é SOP? Antes de aprofundar nesse tópico, se você ainda não leu a parte 1, clique aqui para acessá-la e obter uma visão geral da síndrome dos ovários policísticos, incluindo suas principais características, critérios de diagnóstico e aprender como suas alterações metabólicas e hormonais podem afetar os hábitos alimentares.

Então, vamos lá! Conforme explicado na parte 1, as abordagens atuais de tratamento para manejar os sintomas da SOP geralmente envolvem mudanças na dieta e no estilo de vida, incentivando perda de peso, dietas restritivas e exercícios [1]. Os sintomas desse distúrbio hormonal podem afetar diretamente a imagem corporal e a autoestima [2]; portanto, se você estiver deduzindo que as recomendações acima podem levar ao comer transtornado ou ao desenvolvimento de transtornos alimentares... bem, você está certo(a).

Vale lembrar que transtorno alimentar e comer transtornado são problemas diferentes. Transtornos alimentares, como a anorexia nervosa e a bulimia nervosa, têm critérios específicos de diagnóstico e são distúrbios nos quais as pessoas apresentam severas alterações em seus comportamentos alimentares devido a uma preocupação excessiva com o peso e a forma [3]. Nesse caso, métodos inadequados para levar à perda de peso são utilizados, como jejum e exercício físico em excesso, na busca de se adequarem a certos padrões corporais.

Já o comer transtornado é um termo usado para descrever uma vasta faixa de comportamentos alimentares irregulares, que podem levar a um diagnóstico de um transtorno alimentar específico ou não. Sintomas comuns incluem: dieta frequente, ansiedade relacionada a certos alimentos, pular refeições, sentimentos de culpa e vergonha associados à alimentação e preocupação excessiva com alimento, peso e imagem corporal que chegam a prejudicar a qualidade de vida [4].

Mulheres com SOP são mais propensas a desenvolver o comer transtornado ou até mesmo transtornos alimentares, com episódios de compulsão alimentar parecendo ser os mais prevalentes [5]. Como a perda de peso e as dietas são frequentemente recomendadas, mulheres com esse distúrbio hormonal podem sentir que a única maneira de melhorar seus sintomas e conceber uma criança é fazendo dieta. Muitas têm um histórico de “efeito sanfona” antes mesmo de serem diagnosticadas, por terem lutado contra o ganho de peso (sintoma comum da SOP), que muitas vezes leva a padrões alimentares restritivos.

O ciclo da dieta é enganoso e punitivo, e fazer dieta é um fator de risco para desenvolver transtornos alimentares [6]. Normalmente, a pessoa começa uma dieta restritiva com a falsa promessa de que será uma solução rápida e, portanto, começa a restringir os alimentos - cortando alimentos/grupos de alimentos específicos ou limitando a quantidade consumida. Com o tempo, se sentem entediadas diante das opções limitadas. Então, começam a desejar os alimentos que são "proibidos", embora se esforcem para continuar comendo aqueles considerados "permitidos". Inevitavelmente, esses desejos se intensificam e, eventualmente, a dieta acaba sendo quebrada. Comer excessivamente ou comer de forma descontrolada geralmente acontece nesse momento (e é biologicamente esperado; afinal, a pessoa está com fome!). Sentimentos de culpa e vergonha rapidamente surgem e a pessoa tende a criar regras ainda mais restritivas no futuro... e o ciclo recomeça. Parece familiar?

Fazer dieta tem uma extensa lista de desvantagens, mas duas em particular se destacam:

- Nos ensina a ver os alimentos como "bons" ou "ruins" (comer algo considerado "ruim" normalmente desperta sentimentos de culpa); e,

- Nos desconecta de nosso corpo (nos faz perder a confiança nos sinais que nosso corpo envia, como para nos ajudar a decidir quando e o quanto comer).

Confiar na sabedoria do corpo é um passo fundamental, especialmente no contexto da SOP. Abordar os alimentos com neutralidade e estar em sintonia com os sinais do corpo são cruciais. Você pode começar praticando a alimentação com atenção plena e identificando sinais de fome e saciedade para ajudar a se reconectar aos sinais internos e normalizar os padrões alimentares. Ao fazer isso, será mais fácil alterar os hábitos alimentares que ajudarão com os sintomas da SOP.

A terapia nutricional pode ajudar a melhorar seu relacionamento com a comida e fornecerá as ferramentas e o conhecimento necessários para esclarecer quaisquer crenças negativas e falsas sobre os alimentos. Uma abordagem inclusiva quanto ao peso para tratar mulheres com SOP é o ideal, pois impede a realização de alterações no peso à custa do bem-estar psicológico [7]. Assim, sempre que possível, um esforço colaborativo envolvendo nutricionistas, profissionais de saúde mental, endocrinologistas, ginecologistas e, ou médicos que não têm como foco principal o peso, mas sim a saúde geral – física e mental - é a melhor maneira de gerenciar os sintomas da SOP.

Referências:

1. Phelan N, O’Connor A, Tun TK, et al. Hormonal and metabolic effects of polyunsaturated fatty acids in young women with polycystic ovary syndrome: results from a cross-sectional analysis and a randomized, placebo-controlled, crossover trial. The American Journal of Clinical Nutrition. 2011;93(3).

2. McClusky S, Evans C, Lacey JH, Pearce JM, Jacobs H. Polycystic ovary syndrome and bulimia. Fertility and Sterility. 1991;55(2):287-291.

3. Parekh R. What are eating disorders? American Psychiatric Association. https://www.psychiatry.org/patients-families/eating-disorders/what-are-eating-disorders. Accessed July 30, 2020.

4. Anderson M. What is disordered eating? Academy of Nutrition and Dietetics. https://www.eatright.org/health/diseases-and-conditions/eating-disorders/what-is-disordered-eating. Accessed July 30, 2020.

5. Krug I, Giles S, Paganini C. Binge eating in patients with polycystic ovary syndrome: prevalence, causes, and management strategies. Neuropsychiatric Disease and Treatment. 2019;15:1273-1285.

6. Hilbert A, Pike K, Goldschmidt A, et al. Risk factors across the eating disorders. Psychiatry Research. 2014;220(1-2):500-506.

7. Grassi A. PCOS and eating disorders. In PCOS: the Dietitian’s Guide. Haverford, PA: Luca Publishing; 2013.

2 Comments


foxgame abc
foxgame abc
Dec 07, 2025

Even during more Eggy Car game demanding sections, the overall presentation stays cartoonish and lighthearted. Movements don't feel too rough, the vehicle remains bouncy and fun, and the game avoids overly serious or intense difficulty spikes.


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Binsky Drew
Binsky Drew
Oct 04, 2025

The emphasis on mindful eating that's not my neighbor and a collaborative, weight-inclusive approach is so important for supporting women with SOP in a healthy and sustainable way.

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